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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Circulação

DEFINIÇÃO

A circulação humana envolve um sistema fechado, cujo órgão central é o coração, juntamente com o sangue (vasos sanguíneos), veias, artérias e arteríolas. Através do sistema circulatório há o transporte de oxigênio, hormônios e de nutrientes pelo corpo, bem como a eliminação de resíduos tóxicos. 

CORAÇÃO

O coração é um músculo envolvido por membranas: (i) a externa, o pericárdio (ii) interna, o endocárdio e (iii) intermediária, entre o pericárdio e o endocárdio, o miocárdio que é responsável pelas contrações involuntárias do coração, sendo essa fase chamada de sístole e a do relaxamento do músculo é denominada diástole. 
Esse órgão é uma bomba que mantém uma corrente de sangue venoso para o pulmão e de sangue arterial para todo o corpo e é dividido em 4 cavidades: o átrio direito (AD) e esquerdo (AE) (na parte superior) e ventrículo direito (VD) e esquerdo (VE) (na parte inferior). Os átrios comunicam-se com os ventrículos por meio de válvulas, o AD com VD tem-se a válvula tricúspide e no AE com VE a válvula bicúspide ou mitral. 
Essas válvulas abrem durante a sístole e fecham durante a diástole, impedindo o retorno do sangue. Do AD chegam as veias cavas superior e inferior e no AE chegam as quatro veias pulmonares. 
Morfologia do coração e fluxo sanguíneo. Em azul e em vermelho, o sangue que entra e sai do coração. (Foto: Reprodução/Colégio Qi)Morfologia do coração e fluxo sanguíneo. Em azul e em vermelho, o sangue que entra e sai do coração. (Foto: Reprodução/Colégio Qi)

BATIMENTOS CARDÍACOS

A contração do coração é involuntária, ou seja, independe do sistema nervoso. As células do miocárdio pulsam, gerando o impulso nervoso que determina o ritmo das contrações, o nó sinoatrial ou marca-passo, que podem ser registrados durante o exame de eletrocardiograma. 
Em pessoas normais em repouso variam de 60 a 100 batimentos por minutos. Quando no adulto em repouso ocorrem alterações nesses batimentos, podem causar as arritmias, como a taquicardia, onde o coração bate mais de 100 vezes por minuto e a bradicardia que bate menos de 60 vezes por minuto.

CIRCULAÇÃO SISTÊMICA E PULMONAR

A circulação sistêmica ou grande circulação é aquela em que o sangue rico em oxigênio sai do VE do coração pela aorta, artéria que se ramifica pelo corpo em artérias menores e mais finas, as arteríolas e os capilares, respectivamente. O sangue oxigenado ou sangue arterial é transportado para todo o corpo, onde ocorrem as trocas gasosas e, esse retorna ao coração rico em gás carbônico (sangue venoso). As veias cava superior e inferior recolhem o sangue venoso, das regiões acima do coração e do resto do corpo, respectivamente, lançando-o diretamente ao AD.  
A circulação pulmonar ou pequena circulação consiste em levar o sangue pobre em oxigênio e rico em gás carbônico aos pulmões e devolve o sangue oxigenado para o coração. O sangue rico em gás carbônico vai do AD para o VD e é bombeado para o pulmão através da artéria pulmonar, que se bifurca em artéria pulmonar direita e esquerda que vão para os respectivos pulmões. 
Nos capilares, que são finos e permitem as trocas dos gases respiratórios, ocorre a hematose, onde o sangue perde gás carbônico e recebe o oxigênio dos alvéolos, transformando-se em sangue arterial, rico em oxigênio, que retorna ao coração pela veia pulmonar pelo AE, reiniciando o trajeto.
A pressão exercida pelo sangue nas paredes arteriais, a pressão arterial, podem ser aferidas. Em indivíduos em repouso e jovens, a pressão máxima que ocorre durante a sístole equivale a 120mmHg e durante a diástole 80mmHg.

EXERCÍCIOS

(Fatec 2013) Os trilhões de células que constituem o corpo humano precisam de água e de variados tipos de nutrientes, além de um suprimento ininterrupto de gás oxigênio. Os nutrientes absorvidos nas células intestinais e o gás oxigênio absorvido nos pulmões são distribuídos às células do corpo pelo sistema cardiovascular, uma vasta rede de vasos sanguíneos, pela qual circula o sangue impulsionado pelo coração. Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta. 
a) A artéria pulmonar conduz sangue, rico em oxigênio, do coração para todo o corpo.  
b) As veias pulmonares conduzem o sangue arterial, rico em oxigênio, dos pulmões ao coração.  c) A absorção e distribuição dos nutrientes são facilitadas pela digestão completa do amido no estômago.  
d) Os capilares da circulação sistêmica distribuem o gás carbônico aos tecidos, de onde recebem o gás oxigênio.  
e) A absorção dos nutrientes ocorre nas vilosidades intestinais localizadas na superfície interna do intestino grosso.  

Gabarito: Letra B. As veias pulmonares trazem sangue arterial dos pulmões para o coração e depois para o corpo e distribuído para os tecidos. A artéria pulmonar envia sangue venoso para os pulmões.  A absorção dos nutrientes ocorrem nas vilosidades do intestino delgado, onde o amido, proteínas necessitam ser digeridos antes de serem assimilados.

Esquema (Foto: Reprodução/Colégio Qi)Esquema (Foto: Reprodução/Colégio Qi)
(Uftm 2012) O esquema ilustra a circulação humana.
A respeito do esquema e da fisiologia cardiovascular, foram feitas as seguintes afirmações:

I. O átrio esquerdo recebe sangue proveniente dos pulmões por meio das veias pulmonares e o átrio direito recebe sangue proveniente das veias cavas.
II. O sangue presente nos vasos 1 e 2 é rico em oxiemoglobina e nos vasos 3 e 4 existe sangue rico em íons bicarbonato.
III. Todas as veias transportam sangue venoso e todas as artérias transportam sangue arterial.
IV. A sístole do ventrículo esquerdo, apontado pelo número 5, possibilita que o sangue venoso atinja os pulmões.

É correto o que se afirma apenas em
a) I.  
b) I e II.  
c) II e III.  
d) I, III e IV.  
e) II, III e IV.   
Gabarito: Letra B. III é falso porque as veias pulmonares e umbilicais transportam sangue arterial e IV é falsa porque a sístole do ventrículo direito possibilita que o sangue venoso atinja os pulmões.

sábado, 22 de agosto de 2015

Sistema endócrino

DEFINIÇÕES

O sistema endócrino compreende os hormônios que são substâncias formadas por proteínas ou aminoácidos ou esteroides, sendo secretadas por glândulas especializadas e que quando lançadas na corrente sanguínea, apresentam ação local ou sistêmica. Os hormônios atuam, juntamente com o sistema nervoso, controlando diferentes respostas do organismo, como função reguladora, homeostática, desenvolvimento, reprodução, dentre outras.

GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

As glândulas endócrinas são as glândulas especializadas na secreção dos hormônios diretamente na corrente sanguínea, sendo as principais a pineal, hipófise, tireóide, paratireoide e supra-renais. Há ainda as glândulas mistas, ou seja, que possuem uma parte endócrina e outra exócrina, que são o pâncreas e as gônadas (ovários e os testículos).
Glândulas que constituem o sistema endócrino humano. (Foto: Reprodução/Colégio Qi)Glândulas que constituem o sistema endócrino humano. (Foto: Reprodução/Colégio Qi)
Pineal
Localiza-se no centro do cérebro e participa do ciclo circadiano, secretando na ausência de luz (noite) o hormônio melatonina, que induz o sono e na presença de luz (dia), inibe a ação desse hormônio.

Hipófise ou Pituitária

É uma pequena gândula que se situa na base do cérebro e se conecta com o hipotálamo. É dividida em dois lobos: a adenoipófise e a neuroipófise. O funcionamento da adenoipófise é estimulado pelo hormônio de liberação e inibida pelo hipotálamo. A neuroipófise é uma continuação do hipotálamo.
 ADENOIPÓFISE
HormônioAção 
Hormônio adrenocorticotrópico
(ACTH)
Controla o córtex das supra-renais
Hormônio gonadotrópico:
- Hormônio folículo estimulante (FSH)
- Hormônio luteinizante (LH)
- FSH: provoca o crescimento e amadurecimento dos folículos, o ovário na mulher e o testículo no homem, estimulando a produção de estrogênio e testosterona, respectivamente.

- LH: nas mulheres, estimula a ovulação e a formação do corpo lúteo, já nos homens provoca a produção de testosterona.
Prolactina Estimula a produção de leite nas glândulas mamárias durante a gravidez e amamentação
Hormônio do crescimento (GH)Estimula o crescimento dos tecidos, inclusive ossos e cartilagens. Deficiência no GH causa o nanismo e a hiperfunção da hipófise pode ocasionar um excesso de GH, causando o gigantismo.
NEUROIPÓFISE
HormônioAção 
OcitocinaResponsável pela contração muscular e dilatação do útero durante o parto, além de liberar o leite durante a sucção do bebê.
Hormônio antidiurético (ADH)Controla a eliminação de água pelos rins, aumentando a reabsorção de líquidos por esse órgão. Deficiência na produção e secreção do ADH, a urina fica muito diluída, ocasionando a diabete adrenal ou insípida.

TIREÓIDE E PARATIREÓIDES

A tireóide é composta por dois lobos situados na frente da traqueia, em alguns casos, formando uma proeminência denominada pomo-de-adão. As paratireoides são 4 pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide. A tireoide ao ser estimulada pelo hormônio TSH, produzido na hipófise, secreta os hormônios tiroxina ou T4 já que possui 4 iodos na sua molécula e a triiodotironina ou T3 pois possui 3 iodos na sua molécula.
O iodo é fundamental para o funcionamento desses hormônios que regulam o metabolismo e o funcionamento de diversos sistemas como batimentos cardíacos, fluxo sanguíneo, dentre outros. Uma disfunção dessa glândula pode ocasionar o hipotireoidismo ou hipertireoidismo, onde há uma baixa ou alta produção dos hormônios produzidos pela tireoide, respectivamente.
No caso do hipertireoidismo, o excesso de hormônios provoca na pessoa perda de peso, os batimentos cardíacos ficam acelerados e há um aumento da glândula formando um papo ou bócio tóxico e os olhos podem ficar esbugalhados (exoftalmia).
No hipotireoidismo, a baixa produção dos hormônios provoca na pessoa ganho de peso, redução da frequência cardíaca, apatia e sonolência. Essa doença também pode ser causada não somente pela disfunção da glândula, mas também pela falta da ingestão de iodo que é necessário para a formação do T3 e T4, causando o bócio endêmico.

Além desses, a tireoide produz a calcitonina que juntamente com o hormônio paratormônio produzido pelas paratireoides são responsáveis pelo controle da taxa de cálcio no sangue. Quando a concentração de cálcio no sangue diminui, o paratormônio retira o mesmo do osso lançando-o no sangue. Quando a quantidade de cálcio atinge o nível ideal, a calcitonina, diminui a liberação do cálcio no sangue.

PÂNCREAS

O pâncreas localiza-se atrás do estômago, entre o duodeno e o baço. Esse órgão atua tanto como uma glândula exócrina secretando suco pancreático como endócrina que é formada pelas ilhotas de Langerhans que possuem dois tipos de células a alfa e a beta que produzem os hormônios glucagon e insulina, respectivamente. 
Ao ingerir uma refeição, o nível de glicose no sangue aumenta, fazendo com que o pâncreas secrete a insulina responsável por captar a glicose do sangue e levá-la para dentro das células. 
No fígado, a glicose é armazenada sob a forma de glicogênio, processo denominado glicogeogênese. Essas etapas diminuem a glicose circulante no sangue. Entretanto, durante o jejum, o nível de glicose no sangue cai e isso faz com o pâncreas secrete o glucagon que é responsável por inibir a glicogeogênese e, ao mesmo tempo, estimular a glicogenólise no fígado, ou seja, transformar glicogênio em glicose, sendo essa direcionada para o sangue.
DIABETES MELLITUS
É a doença ocasionada pelo aumento do açúcar (glicose) no sangue, causando uma hiperglicemia. Isso pode ocasionar uma perda excessiva de água, desidratação, produção de cetoácidos, podendo inclusive levar a morte do indivíduo.
TipoAção 
Tipo 1 ou dependente de insulinaComum em jovens com menos de 30 anos. Ocorre a destruição
das células beta, por exemplo por um câncer ou doença autoimune,
logo não há produção de insulina. A pessoa deve tomar injeções
diárias desse hormônio para que a taxa glicose no organismo fique
adequada (70 a 120mg/100mL de sangue)
Tipo 2 ou independente de insulinaÉ a mais comum e ocorre em pessoas obesas com mais de 40 anos.
Há a produção de insulina, entretanto seus receptores encontram-se
defeituosos ou diminuídos. A doença pode ser controlada com dieta e medicamentos.
DIABETES INSIPIDUS
Essa doença ocorre devido a uma deficiência do hormônio antidurético, provocando uma diurese excessiva e sede intensa. Sintomas parecidos com a diabete mellitus, entretanto não há urina doce nem hiperglicemia.
DIABETES GESTACIONAL
Surge durante a gravidez uma hipoglicemia, que deve ser controlada e na maioria das vezes os níveis de glicose voltam ao normal após o parto.  

SUPRA-RENAIS

As supra-renais possuem duas regiões na glândula - o córtex e a medula - que secretam hormônios diferentes e localizam-se sobre os rins. 
CÓRTEX
O córtex é estimulado pelo hormônio ACTH, produzido pela adenohipófise, secreta corticosteroides.
Hormônio Ação 
AldosteronaAumenta a reabsorção de sódio, tendo como consequência a retenção de água e estimula as células dos túbulos renais a secretarem potássio e hidrogênio no sangue.
CortisolConverte aminoácidos e lipídios em glicose. Importante para situações de estresse e sem comida. 
MEDULA 
HormônioAção 
Adrenalina ou epinefrinaResposta rápida ao estresse, acelera o batimento cardíaco, glicose lançada no sangue
Noradrenalina ou norepinefrinaJuntamente com a adrenalina, esse hormônio aumenta o influxo de cálcio, mantém a pressão sanguínea em níveis normais, taquicardia, dentre outros.

EXERCÍCIOS

(Enem 2000) O metabolismo dos carboidratos é fundamental para o ser humano, pois a partir desses compostos orgânicos obtém-se grande parte da energia para as funções vitais. Por outro lado, desequilíbrios nesse processo podem provocar hiperglicemia ou diabetes. O caminho do açúcar no organismo inicia-se com a ingestão de carboidratos que, chegando ao intestino, sofrem a ação de enzimas, "quebrando-se" em moléculas menores (glicose, por exemplo) que serão absorvidas. A insulina, hormônio produzido no pâncreas, é responsável por facilitar a entrada da glicose nas células. Se uma pessoa produz pouca insulina, ou se sua ação está diminuída, dificilmente a glicose pode entrar na célula e ser consumida. 

Com base nessas informações, pode-se concluir que: 

a) o papel realizado pelas enzimas pode ser diretamente substituído pelo hormônio insulina.   
b) a insulina produzida pelo pâncreas tem um papel enzimático sobre as moléculas de açúcar.   
c) o acúmulo de glicose no sangue é provocado pelo aumento da ação da insulina, levando o indivíduo a um quadro clínico de hiperglicemia.   
d) a diminuição da insulina circulante provoca um acúmulo de glicose no sangue.   
e) o principal papel da insulina é manter o nível de glicose suficientemente alto, evitando, assim, um quadro clínico de diabetes.   

GABARITO: Letra D. A ausência de insulina provoca a hiperglicemia, doença caracterizada como diabetes mellitus.


(UFPR 2013) Louco por um saleiro, sal foi uma das primeiras palavras que o garoto aprendeu a falar, antes de completar 1 ano de idade. Quando conseguiu caminhar com as próprias pernas, passou a revirar os armários da cozinha em busca de tudo que fosse salgado e, sempre que podia, atacava o saleiro. Aos 3 anos e meio, por causa da suspeita de puberdade precoce, o menino foi internado num hospital. (Fonte: Christante, L. Sede de sal. Revista Unesp Ciência, n.17, 2011.)

O apetite por sal da criança, cujo relato tornou-se clássico na história da Medicina, era causado por um desequilíbrio endócrino. Após a sua morte, descobriu-se que a criança apresentava uma deficiência na produção de: 

a) aldosterona pelas glândulas adrenais.   
b) insulina pelo pâncreas.   
c) tiroxina pela tireoide.   
d) vasopressina pelo hipotálamo.   
e) somatotrofina pela hipófise.   

GABARITO: Letra A. O hormônio aldosterona é responsável pela reabsorção de sódio e excreção do potássio nos túbulos renais. No hipoadrenalismo, a excreção do sódico aumenta.

Respiração

SISTEMA RESPIRATÓRIO

Sistema Respiratório (Foto: Colégio Qi)Trajeto do ar no corpo (Foto: Colégio Qi)
Como os demais mamíferos, no sistema respiratório humano o ar penetra pelo nariz e passa pela faringe, laringe, traquéia, brônquios, bronquíolos e por final os alvéolos. Os alvéolos, como visualizado na figura 1, são células achatadas envolvidas por uma rede de capilares e tem como função as trocas gasosas entre o ar e o sangue, ou seja, ocorre a troca do sangue venoso, rico emCO2 pelo sangue arterial, rico em O2.
A saída do ar nos pulmões só ocorre porque o diafragma se contrai e abaixa. Esse movimento, juntamente com os músculos intercostais, faz com que haja aumento da caixa torácica e, por sua vez, a diminuição da pressão interna nesta cavidade. Essa pressão se torna menor do que a pressão do ar atmosférico fazendo com que o ar penetre nos pulmões, e na expiração ocorre a redução do volume torácico provocado pelos músculos relaxados que empurram o ar usado para fora.
Respiração (Foto: Colégio Qi)Esquema da inspiração e da expiração (Foto: Colégio Qi)

TRANSPORTE DE GASES

A hemoglobina, uma proteína presente nas hemácias, tem a função de transportar oxigênio para nosso corpo. A hemoglobina, ao se combinar com as moléculas de gás oxigênio, forma a oxiemoglobina (HbO2). 
Parte do gás carbônico é conduzida pela hemoglobina ou dissolvida no plasma, sendo que grande parte é transportada por este sob a forma de íons bicarbonato. O gás carbônico, ao passar pela hemácia, reage com a água e produz o ácido carbônico, na existência de uma enzima chamada de anidrase carbônica. 
O ácido carbônico se separa em íons H+e íons bicarbonato. Dessa forma, este último é transportado pelo plasma até o pulmão, ocorrendo o processo inverso, formando o gás carbônico, que sai pelos alvéolos.

EXERCÍCIOS

(FGV - 2007) Suponha a seguinte situação: o preparador físico de um time brasileiro de futebol propôs uma nova estratégia para treinamento de seus atletas. Os jogadores realizariam exercícios físicos respirando através de equipamento que simulava condições de baixa pressão atmosférica. Este treinamento deveria preceder, em semanas, as viagens para os jogos que iriam se realizar em cidades de alta altitude, como La Paz, na Bolívia. Segundo o preparador físico da equipe, este treinamento poderia melhorar a condição física do atleta quando dos jogos.Questionado sobre o porquê desse treinamento, o preparador físico explicou que:

I. Para o ar penetrar no tubo respiratório e chegar aos pulmões, é necessário haver uma diferença entre a pressão atmosférica e a pressão existente na cavidade torácica. Quanto menor a diferença, menor a quantidade de ar que chega aos pulmões.
II. Em cidades de alta altitude, como La Paz, a pressão atmosférica é menor que a pressão existente na cavidade torácica, o que impede a captação de ar pelos pulmões.
III. O treinamento fortaleceria a musculatura intercostal e o diafragma dos atletas, permitindo que pudessem inspirar mesmo sob as condições de baixa pressão atmosférica das cidades onde os jogos se realizariam.
IV. Para que o oxigênio atmosférico chegue aos tecidos do corpo, é necessário que se ligue às proteínas da superfície da membrana das hemácias, o que ocorre nos alvéolos pulmonares.
V. O treinamento estimularia o organismo a aumentar a produção de hemácias. O atleta submetido a esse treinamento, ao chegar a cidades de alta altitude, já teria um aumento na concentração de hemácias, facilitando a captação do pouco oxigênio presente nos alvéolos pulmonares.
São corretas as afirmações:
(a) I e V, apenas.
(b) II e III, apenas.
(c) I, III e V, apenas.
(d) I, II, III e IV, apenas.
(e) I, II, III , IV e V.
RESPOSTA: AEm grandes altitudes, ocorre redução da pressão atmosfera e, consequentemente, a difusão de oxigênio do ar para o sangue fica mais lento. O organismo humano apresenta reações compensatórias, como o aumento no número de hemácias, o que aumenta o poder de captação e distribuição de oxigênio do sangue. Entretanto, essa reação não é imediata, demandando entre 3 e 4 semanas para um aumento significativo no número de hemácias. Assim, o treinamento mencionado simula condições de grande altitude, o que, acompanhado de certos cuidados, poderia realmente ajudar a adaptação dos jogadores.

(MACKENZIE SP - 2010) A respeito das consequências do uso do cigarro para a saúde humana, muitas pesquisas têm sido publicadas, muitas delas voltadas ao mecanismo de ação de um dos principais componentes, a nicotina, enquanto outras procuram esclarecer a população a respeito dos efeitos colaterais dos demais componentes do cigarro. A tabela abaixo mostra alguns desses componentes e seus efeitos no organismo humano:
Tabela (Foto: Colégio Qi)Tabela com alguns componentes do cigarro (Foto: Colégio Qi)
(a) A nicotina e os solventes causam dependência, por agirem no sistema nervoso central.
(b) O monóxido de carbono prejudica o transporte do CO2 produzido nos tecidos.
(c) O aumento do risco de desenvolver doenças coronárias se deve ao acúmulo de resíduos tóxicos do cigarro nas paredes dos vasos sanguíneos.
(d) O depósito de alcatrão ajuda na filtração do ar que passa pelas vias aéreas.
(e) As lesões provocadas pela amônia não podem ser relacionadas aos casos de câncer de laringe em fumantes.
RESPOSTA: AA nicotina e os solventes agem sobre o Sistema Nervoso Central gerando dependência.

(PUC RJ-2001) A respiração é a troca de gases do organismo com o ambiente. Nela o ar entra e sai dos pulmões graças à contração do diafragma. Considere as seguintes etapas do processo respiratório no homem:
I. Durante a inspiração, o diafragma se contrai e desce aumentando o volume da caixa torácica.
II. Quando a pressão interna na caixa torácica diminuie se torna menor que a pressão do ar atmosférico, o arpenetra nos pulmões.
III. Durante a expiração, o volume torácico aumenta, ea pressão interna se torna menor que a pressão do aratmosférico.
IV. Quando o diafragma relaxa, ele reduz o volume torácico e empurra o ar usado para fora dos pulmões.
Assinale as opções corretas:
(a) I e II.
(b) II, III e IV.
(c) I, II e III.
(d) I, II e IV.
(e) Todas. 
RESPOSTA: DA afirmativa III está errada, pois durante a expiração o volume torácico se reduz em função da atuação do diafragma, o que leva à expulsão do ar.

(PUC RJ-2000) Nos Jogos Olímpicos de Inverno, nosEstados Unidos da América, uma das atletas foi eliminada no exame antidoping porque, embora não houvesse vestígio de nenhuma substância estranha em seu organismo, ela apresentava uma taxa de hemácias e de hemoglobina muito mais altas do que as médias para atletas do sexo feminino com a sua idade. O Comitê Olímpico considerou imprópria sua participação nos jogos, porque:
(a) a maior taxa de hemácias permitiria uma menor oxigenação do sangue e uma maior obtenção de energia.
(b) um aumento do número de hemácias poderia causar uma diminuição do número de plaquetas e uma hemorragia interna.
(c) a maior taxa de hemácias poderia causar uma sobrecarga no músculo cardíaco e um possível infarto do miocárdio.
(d) a maior taxa de hemácias permitiria uma maior oxigenação do sangue e uma maior obtenção de energia.
(e) a maior taxa de hemácias causaria um aumento na taxa de respiração e uma intoxicação sanguínea causada pelo aumento de ácido carbônico no sangue.
RESPOSTA: DComo o oxigênio é transportado pela hemácia na forma de oxiemoglobina, quanto mais numerosas, maior será sua oxigenação no sangue e consequentemente melhor será seu desempenho físico.

(Vunesp-2008) (...) a Fifa decidiu ratificar a proibição de jogos internacionais em estádios localizados em altitudes acima de 2 750 metros. Para a Fifa, partidas internacionais acima desta altitude serão disputadas apenas após um período mínimo de adaptação de uma semana para os atletas. No caso de um jogo a mais de 3 mil metros do nível do mar, este período de aclimatação sobe para pelo menos duas semanas. (Fonte: Globo Esporte)
Com base nos conhecimentos sobre circulação e respiração humanas, justifique a posição anterior da Fifa que permitiria que jogos de futebol fossem realizados em locais de elevada altitude apenas após um período de adaptação dos atletas.
RESPOSTA: Em altas altitudes o oxigênio é rarefeito. O período de adaptação dos atletas é necessário, pois nele ocorre a produção de uma quantidade adicional de hemácias, que resulta em melhor oxigenação dos seus tecidos.

Reprodução humana

SISTEMA GENITAL MASCULINO

O sistema reprodutor humano - tema de questões do Enem - é formado por órgãos que constituem o aparelho genital masculino e feminino. O aparelho genital masculino é constituído por dois testículos, bolsa escrotal, epidídimo, canal deferente, pênis e glândulas anexas (próstata, vesículas seminais e glândulas bulbouretrais).
Os testículos são as glândulas sexuais masculinas, também denominadas gônadas, localizadas no interior da bolsa escrotal. Os testículos apresentam duas funções básicas: a produção do hormônio testosterona, responsável pelas características masculinas, que ocorre nas células de Leydig e a produção de espermatozoides (espermatogênese) que ocorre no interior de tubos que se enovelam no testículo, os túbulos seminíferos. 
Os espermatozoides saem desses túbulos e são transportados para os vasos eferentes e, a seguir, para o epidídimo, onde adquirem mobilidade. Cada epidídimo conecta-se com a vesícula seminal pelo canal deferente, formando o ducto ejaculatório, que atinge a uretra, por onde saem os espermatozoides que são liberados juntamente com as secreções produzidas pelas glândulas anexas, formando o sêmen ou esperma. 
Durante o ato sexual, os músculos do epidídimo, canal deferente, uretra e glândulas anexas se contraem liberando o sêmen para o exterior, processo denominado ejaculação.
A uretra passa por dentro do pênis. O pênis é formado por tecidos vascularizados, os corpos cavernosos e o corpo esponjoso, o bulbo, o prepúcio e a glande. Tais tecidos são responsáveis pela ereção do pênis, pois em resposta a um estímulo nervoso parassimpático, as artérias do pênis se dilatam, provocando um acúmulo de sangue nos corpos cavernosos e corpo esponjoso, impedindo o retorno do sangue e, consequentemente, o enrijecimento do pênis.
Sistema genital masculino (Foto: Reprodução/Colégio Qi)Sistema genital masculino (Foto: Reprodução/Colégio Qi)

SISTEMA GENITAL FEMININO

O aparelho genital feminino é constituído por dois ovários, duas tubas uterinas (trompas de falópio), um útero, uma vagina e uma vulva.

Sistema genital feminino (Foto: Reprodução/Colégio Qi)Sistema genital feminino (Foto: Reprodução/Colégio Qi)
Os ovários são as glândulas sexuais femininas, ou seja, as gônadas que produzem os óvulos e os hormônios sexuais femininos, o estrógeno e a progesterona. Os ovários se conectam com o útero pelas tubas uterinas. 
O útero é um órgão musculoso que aloja o embrião durante a gravidez. A parede do útero é formada por três camadas: a serosa, miométrio e o endométrio. O endométrio todo mês torna-se espesso para receber o óvulo fertilizado, entretanto caso isso não ocorra, ocorre há esfoliação dessa parede eliminada através do fenômeno denominado menstruação. 
Do útero sai a vagina que abre na vulva, a genitália feminina externa, coberta por pelos, que iniciam na puberdade e possui dobras de pele e mucosa, os pequenos e os grandes lábios, são altamente vascularizados e protegem a vagina e a uretra. Os lábios circundam o clitóris que é uma região extremamente sensível e erétil que corresponde a glande do aparelho sexual masculino. 
Em mulheres virgens, a abertura da vagina possui uma membrana, denominada hímen, que se rompe no primeiro ato sexual. Entre a borda do hímen e os lábios, há glândulas de Bartholin que, sob ação de estímulos, liberam um líquido lubrificante.

CICLO MENSTRUAL

O ciclo menstrual é dividido em três fases: fase menstrual, fase proliferativa ou folicular e fase secretória ou lútea.
Na fase proliferativa, o hormônio folículo estimulante (FSH) promove o crescimento do folículo preparando-se para a ovulação. O folículo produz estrogênio que provoca o crescimento do endométrio, no qual o embrião se fixará. Após amadurecer, o folículo transforma-se no folículo maduro ou de Graaf. Quando a produção de estrógeno chega ao seu limite máximo, o hormônio luteinizante aumenta sua produção, o que ocasiona a ruptura do folículo maduro ocorrendo a ovulação após 14 dias do início da menstruação. 
Na fase secretora, o hormônio luteinizante transforma o folículo rompido em uma glândula, o corpo lúteo ou amarelo que secreta, o estrogênio e a progesterona, que provoca o crescimento do endométrio e que prepara o corpo da mulher para a gravidez e para o aleitamento, respectivamente. Essa fase dura cerca de 14 dias. O período fértil ocorre no meio da ovulação e o óvulo pode ser fecundado 24 a 36h após ser liberado do ovário. Como o espermatozoide permanece vivo por 72h no aparelho genital feminino, a mulher pode ter relação 72 horas antes ou 36 horas depois para poder engravidar.
Ciclo menstrual (Foto: Reprodução/Colégio Qi)Ciclo menstrual (Foto: Reprodução/Colégio Qi)
Quando o espermatozoide encontra o óvulo na tuba uterina, ocorre a fecundação, levando a formação de um zigoto que, após 3 dias de formação, se fixa no útero, processo denominado nidação. Em caso de gravidez, a placenta produz uma glicoproteína a gonadotrofina coriônica humana (HCG) que mantém o corpo lúteo evitando sua eliminação pela menstruação. Essa proteína é detectada na urina ou no sangue após 9 dias da fecundação, sendo um método eficaz para certificar a gravidez.
Após 14 dias da ovulação, se não houver fecundação, inicia o ciclo menstrual. Nesse período, o corpo lúteo é degenerado, deixando de secretar a progesterona e o estrogênio, por isso há uma queda desses hormônios durante a menstruação, bem como sangramentos devido a eliminação do endométrio que foi espessado para acolher o embrião. O ciclo menstrual inicia-se com o primeiro dia de menstruação. A menstruação pode durar de 5 a 7 dias. Na metade do ciclo, um novo folículo é estimulado pelo FSH, reiniciando a fase proliferativa e a secretora. A primeira menstruação é denominada menarca e após os 50 anos quando não há mais ovulação a menstruação cessa, denominada menopausa.

EXERCÍCIOS

(FGV 2013) A gestação assistida, por meio de procedimentos clínicos, permite que casais impossibilitados de gerarem filhos naturalmente obtenham sucesso em sua constituição familiar. 
Alguns desses procedimentos estão listados em sequência. 
1. Estímulo à ovulação.
2. Aspiração de óvulos liberados a partir dos folículos ovarianos.
3. Estímulo ao desenvolvimento do endométrio.
4. Fertilização in vitro.
5. Implantação do embrião no útero.
Em função da sequência de procedimentos referentes à biologia reprodutiva humana, está correto afirmar que 
a) o estímulo à ovulação ocorre através de hormônios hipofisários.  
b) a ovulação ocorre no útero, após cerca de 14 dias de estímulo hormonal.  
c) o desenvolvimento do endométrio permanece até o final da gestação.  
d) a fertilização de um óvulo por dois espermatozoides origina gêmeos fraternos.  
e) a implantação do embrião no útero, a nidação, ocorre na fase de nêurula.   
Resolução: os hormônios FSH e LH são produzidos e secretados pela adenohipófise e participam na liberação do óvulo (ovócito) do folículo ovariano. Letra A.

Figura (Foto: Reprodução)Figura (Foto: Reprodução)
(Unesp 2012)
Nunca se viram tantos gêmeos e trigêmeos. As estatísticas confirmam a multiplicação dos bebês, que resulta da corrida das mamães às clínicas de reprodução. O motivo pelo qual a reprodução assistida favorece a gestação de mais de uma criança é a própria natureza do processo. Primeiro, a mulher toma medicamentos que aumentam a fertilidade e, em consequência, ela libera diversos óvulos em vez de apenas um. Os óvulos são fertilizados em laboratório e introduzidos no útero. Hoje, no Brasil, permite-se que apenas quatro embriões sejam implantados – justamente para diminuir os índices de gravidez múltipla. 
(Veja, 30 de março de 2011.) 
Suponha que uma mulher tenha se submetido ao tratamento descrito na notícia, e que os quatro embriões implantados em seu útero tenham se desenvolvido, ou seja, a mulher dará à luz quadrigêmeos. Considerando-se um mesmo pai para todas as crianças, pode-se afirmar que 
a) a probabilidade de que todas sejam meninas é de 50%, que é a mesma probabilidade de que todos sejam meninos.
b) a probabilidade de as crianças serem do mesmo sexo é de 25%, e a probabilidade de que sejam dois meninos e duas meninas é de 50%.  
c) embora as crianças possam ser de sexos diferentes, uma vez que se trata de gêmeos, serão geneticamente mais semelhantes entre si do que o seriam caso tivessem nascidas de gestações diferentes.  
d) as crianças em questão não serão geneticamente mais semelhantes entre si do que o seriam caso não fossem gêmeas, ou seja, fossem nascidas de quatro diferentes gestações.  
e) as crianças serão gêmeos monozigóticos, geneticamente idênticos entre si e, portanto, todas do mesmo sexo. 
Resolução: os quadrigêmeos serão geneticamente distintos porque resultam da fecundação de quatro óvulos diferentes por quatro espermatozoides distintos. Letra D.