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sábado, 22 de agosto de 2015

Pirâmide ecológica

TIPOS DE PIRÂMIDE

Usando as pirâmides ecológicas, é possível representar, graficamente, os níveis tróficos de um ecossistema através de retângulos superpostos. Há três tipos de pirâmides:
-Pirâmide de número;
-Pirâmide de biomassa;
-Pirâmide de energia.
Pirâmide de número
Pirâmide de número (Foto: Reprodução)Pirâmide de número (Foto: Reprodução)
Esta pirâmide alimentar representa o número de indivíduos em cada nível trófico da cadeia alimentar em determinado ecossistema. A pirâmide da figura representa uma pirâmide de número normal, onde há uma base larga e, em direção ao ápice, vai se estreitando.


Número de protozoários é maior do que o de pulgões nas árvores (Foto: Reprodução / Colégio Qi)Número de protozoários é maior do que o de pulgões nas árvores (Foto: Reprodução / Colégio Qi)
Em certas situações, a pirâmide de número pode se inverter quando, por exemplo, se quer esquematizar a presença do número de organismos existentes em uma árvore.



Pirâmide de biomassa
Pirâmide de biomassa comum (Foto: Reprodução / Colégio Qi)Pirâmide de biomassa comum (Foto: Reprodução / Colégio Qi)
A pirâmide de biomassa representa a quantidade de matéria orgânica presente no corpo dos organismos de um determinado nível trófico. Frequentemente, é expressa pelo peso seco (água presente não é matéria orgânica), por unidade de área, assim, g/m2 ou kg/m2.
Na figura, o exemplo foi dado pelo ecologista Eugene Odum. Ele calculou que cerca de oito toneladas de alfafa sustentam uma tonelada de bezerros em um ano e, por sua vez, sustentariam um adolescente de 47kg neste mesmo período. 

Pirâmide de biomassa invertida (Foto: Reprodução / Colégio Qi)Pirâmide de biomassa invertida (Foto: Reprodução / Colégio Qi)
Na pirâmide de biomassa, também há exemplos de pirâmides invertidas. Este exemplo pode ser observado em algas microscópicas, como o fitoplâncton (produtor), sua biomassa pode ser menor sendo comparado com a do zooplâncton, um consumidor primário. Isso só é possível quando a medida de biomassa é feita em um intervalo de tempo curto, não sendo verificada a velocidade com que a matéria orgânica é produzida de forma que a velocidade de multiplicação do fitoplâncton é maior do que a velocidade de multiplicação do zooplâncton.
Pirâmide de energia
Exemplo de pirâmide de energia (Foto: Reprodução / Colégio Qi)Exemplo de pirâmide de energia (Foto: Reprodução / Colégio Qi)
Esta pirâmide representa, em cada nível trófico, a quantidade de energia acumulada por unidade de área ou volume e por unidade de tempo, quilocaloria (kcal) por metro quadrado (m2) por ano. Dessa forma, a pirâmide indica o fluxo de energia presente em cada nível trófico de uma cadeia alimentar de um ecossistema, levando em conta o fator tempo. Sendo assim, não há possibilidade de inversão da pirâmide, já que o fluxo de energia de um ecossistema é unidirecional e vai diminuindo a cada nível trófico, apenas 10% será passado para o próximo nível.
Na figura acima, é possível observar um número muito maior de produtores que serviriam para alimentar os consumidores primários em um número menor, e que, por sua vez, alimentaria os consumidores secundários. Essas bases mais largas, diminuindo em direção ao ápice são observadas, pois os consumidores secundários, geralmente de maior porte, necessitam de mais presas para manter seu corpo.

EXERCÍCIOS

(PUC MG – 2008) Os conceitos de cadeias alimentares e pirâmides ecológicas foram criados e descritos pela primeira vez em 1923 por Charles Elton durante suas observações da constituição e comportamento alimentar de toda uma comunidade animal em uma ilha do Ártico durante o verão. Com as pirâmides ele pode elaborar explicações  para  o  fato  observável  de  que  animais grandes são raros enquanto animais pequenos, comuns.
Pirâmide de energia (Foto: Reprodução / Colégio Qi)Pirâmide de energia (Foto: Reprodução / Colégio Qi)
A figura mostra uma típica pirâmide de energia com quatro níveis tróficos em um ecossistema. Com base na figura e em seus conhecimentos sobre o assunto, assinale afirmativa incorreta:
a) Cada organismo na natureza tem seu próprio balanço energético, que é o resultado entre energia obtida e energia retida na sua massa corporal.
b) Espera-se que o desaparecimento do último nível trófico, representado pela águia, determine o aumento de todos os níveis tróficos anteriores.

c) Parte da energia perdida por um consumidor pode ser decorrente da não-digestão completa dos alimentos ingeridos.

d) É esperado que os roedores retenham um percentual menor da energia adquirida na alimentação do que as cobras quando a temperatura ambiente é baixa.
Gabarito:
Letra B. Com o desaparecimento do último nível trófico, em um primeiro momento, haveria um acentuado aumento do número de cobras, já que seus predadores teriam sido eliminados. Consequentemente, o número de roedores, presas das cobras, iria diminuir até o esgotamento, levando a um aumento do número de cereais. Agora, sem fonte de alimento, as cobras começariam a ter sua população decrescendo. (Esse processo aconteceria considerando que os únicos predadores e presas são os representados na imagem).

(UNESP - 2005) As cadeias alimentares podem ser representadas graficamente por pirâmides ecológicas nas quais cada degrau representa um nível trófico. As pirâmides podem representar o número de indivíduos, a biomassa ou a energia em cada nível da cadeia, e a extensão de cada degrau depende dos componentes do nível. Uma pirâmide invertida, com a base menor e o topo maior, poderia representar:

a) A energia ou a biomassa, mas não o número de indivíduos;
b) A energia, mas não a biomassa ou o número de indivíduos;
c) O número de indivíduos ou a biomassa, mas não a energia;
d) O número de indivíduos ou a energia, mas não a biomassa;
e) O número de indivíduos, a biomassa ou a energia.
Gabarito:
Letra C. Em ecossistemas marinhos, cuja base é representada pelo fitoplâncton, esta pode ser menor que o nível trófico seguinte. Numericamente, uma árvore pode representar uma base menor que o nível trófico posterior, formado por parasitas. A energia, que sempre apresenta um fluxo unidirecional decrescente, jamais será representada por uma pirâmide invertida.

Poluição da água

EUTROFIZAÇÃO

A poluição da água é um dos fatores que prejudicam a relação entre os organismos e o meio ambiente, causando o desequilíbrio ecológico. Entre as diversas formas de contaminação da água na natureza, há a eutrofização.

Esse fenômeno ocorre quando grandes quantidades de nutrientes minerais e orgânicos estão depositadas na água resultando em uma acelerada multiplicação de algas, impedindo, dessa forma, que a luz consiga penetrar até os vegetais e algas que estão no fundo.

Outra consequência é o esgotamento de nutrientes e a morte dessas algas e a proliferação de bactérias aeróbicas que consomem o oxigênio levando peixes, crustáceos, bactérias entre outros organismos à morte. Para a decomposição desses organismos, ocorre a proliferação de bactérias anaeróbicas liberando gases tóxicos e de odor desagradável já que as substâncias presentes são o metano e o ácido sulfídrico.

Geralmente, a causa é o esgoto sanitário lançado nos rios, mas também ocorre por resíduos industriais, entre outros causando desequilíbrio ao meio ambiente e, consequentemente, para as pessoas que necessitam no uso desses locais e estão sujeitas à disseminação de doenças causadas por bactérias, vírus e protozoários. 

MARÉS

As chamadas marés vermelhas ocorrem pelo excesso de nutrientes nos oceanos causados por acidentes com navios cargueiros, como por exemplo, fertilizantes e dejetos ou outros insumos podendo resultar na proliferação de algumas espécies de algas, como é o caso das algas dinoflageladas, que possuem pigmento vermelho que dá essa cor à água.
Maré vermelha em praia do RJ (Foto: Extra/Globo)Maré vermelha em praia do RJ (Foto: Extra/Globo)
A cor da água pode variar dependendo do pigmento que a alga em multiplicação acelerada possui. O excesso de certas algas pode levar a produção de toxinas que agem no sistema nervoso central comprometendo a vida de vários animais marinhos e consequentemente o ciclo da cadeia alimentar.

Já a maré negra, se dá pelo derramamento de petróleo nas águas. Esse tipo de acidente resulta na morte de alguns animais marinhos, uma vez que o óleo impede a entrada de luz para esses organismos que realizam fotossíntese, causando menor produção de oxigênio.

Peixes e crustáceos também são prejudicados, pois suas brânquias ficam recobertas por petróleo, impedindo-os de respirar. Outros animais, como as aves, apresentam dificuldades em voar e sua capacidade de regular a temperatura, provocando, geralmente, a morte por superaquecimento.
Mancha provocada por vazamento de óleo no oceano (Foto: G1)Mancha provocada por vazamento de óleo no oceano (Foto: G1)
Os animais podem sofrer modificações a longo prazo pela presença do petróleo, pois algumas substâncias provocam mutações e maior probabilidade de câncer. O petróleo provoca sérios problemas na área dos manguezais, pois é o local de reprodução de muitas espécies.

POLUIÇÃO TÉRMICA

A causa desse tipo de poluição é a presença de indústrias, usinas elétricas, refinarias, entre outras que são instaladas próximas às margens de rios, e dessa forma, a água proveniente desses rios é usada para resfriar as caldeiras e é devolvida aquecida para o ambiente.

A consequência dessa poluição térmica é a quantidade menor de oxigênio dissolvido, acarretando a morte de alguns animais por asfixia. Além disso, algumas espécies marinhas são termossensíveis, podendo dessa forma desaparecer, fato que causaria sérios impactos na cadeia trófica. Outra consequência é o impacto na reprodução de certos organismos, já que o período de reprodução e o ambiente em que isso ocorre podem ficar alterados e talvez nem acontecer, caso ocorra fecundação externa.

Outras substâncias não degradáveis usadas na agricultura e na indústria são descartadas no meio ambiente. Esse material, muitas vezes, possui metais pesados, como mercúrio, chumbo e cádmio, além do DDT (inseticida) que ficam acumulados nos seres vivos.

O DDT era muito usado na agricultura, hoje, esse material foi proibido por graves problemas que pode causar à saúde e ao meio ambiente. A contaminação por esse material nos solos e rios causava o fenômeno da magnificação trófica, que ocorre pela acumulação dessa substância nos organismos e passados para outros níveis tróficos da cadeia alimentar. 
Os metais pesados, geralmente resultantes das indústrias, também geram sérias consequências para o meio ambiente, podendo resultar em mutações, deficiências e até mesmo a morte dos animais marinhos nos diversos níveis tróficos. Para os seres humanos também há consequências, como problemas físicos, psicológicos, câncer e morte.

EXERCÍCIOS

(UNIFESP-2008) Nos acidentes com derramamento de petróleo em grandes extensões no mar, alguns dos principais impactos negativos estão relacionados à formação de uma camada de óleo sobre a área atingida. Sobre tais acidentes, pode-se dizer que:

a) a camada de óleo impede a penetração de luz e, com isso, a realização de fotossíntese pelas algas bentônicas, que são os principais organismos fotossintetizantes do sistema oceânico.

b) o óleo derramado impedirá a dissolução do oxigênio atmosférico na água, causando a morte de peixes emgrande extensão, mesmo daqueles que não tiveram contato com o óleo.

c) ao ser derramado, o óleo forma uma película superficial que não afeta tanto os organismos marinhos, pois eles se deslocam, mas atinge principalmente as aves pescadoras, pois o óleo impregna suas penas e elas morrem afogadas.

d) a camada de óleo atinge diretamente o plâncton, que é a principal fonte de produção primária para o ambiente marinho e configura-se como a base da cadeia trófica oceânica.

e) o zooplâncton é a porção mais afetada, pois os organismos morrem impregnados pelo óleo, ao contrário do fitoplâncton, que possui parede celular que os impermeabiliza e permite sua sobrevivência nesses casos.

Gabarito
Letra D. O plâncton é o produtor primário, sendo a base da cadeia trófica. Sendo assim, o óleo que impede a passagem de luz interfere na fotossíntese, resultando o desequilíbrio de toda a cadeia alimentar.

(VUNESP-2007) Recentemente, constatou-se um novo efeito desastroso do excesso de gás carbônico: os mares estão ficando mais ácidos. As alterações no pH marítimo levam à redução do plâncton, e ameaçam aniquilar os recifes de corais. (Veja, 21.06.2006.)
Estabeleça relações entre a destruição do plâncton e a ameaça à vida de animais marinhos e terrestres.

Resposta
Os organismos do plâncton — fitoplâncton e zooplâncton — constituem os primeiros elos das teias alimentares aquáticas; seu desaparecimento afeta todas as comunidades aquáticas e terrestres deles dependentes, tanto em termos de matéria orgânica quanto de disponibilidade de oxigênio. 

(VUNESP-2006) Analise as seguintes informações.
I. A renovação dos tecidos requer um controle complexo para coordenar o comportamento de células individuais e as necessidades do organismo como um todo. As células devem dividir-se e conter a divisão, sobreviver e morrer, manter uma especialização característica apropriada e ocupar o lugar apropriado, sempre de acordo com as necessidades do organismo. Sabe-se que essas funções são geneticamente controladas.

II. Em 2001 a indústria Shell do Brasil S.A. foi responsabilizada pela contaminação das áreas em torno de sua fábrica de agrotóxicos em Paulínia, SP, com resíduos de Endrin, Diedrin e Aldrin. Um aumento significativo no número de casos de câncer na região tem sido associado à exposição dos moradores a essas substâncias.

a) Que relações podem ser estabelecidas entre as informações I e II? Inclua na sua resposta os conceitos de “mutação gênica”, “agentes mutagênicos”, “descontrole dos mecanismos de divisão celular” e “câncer”.

b) Dê exemplos de um agente de natureza física e de um agente de natureza biológica que podem aumentar a taxa de mutações gênicas, aumentando assim a probabilidade de desenvolvimento de câncer.

Respostas
a) As substâncias Endrin, Diedrin e Aldrin agiram como agentes mutagênicos, aumentando a frequência de mutações gênicas - alterações no DNA - nas pessoas a elas expostas. Algumas dessas mutações podem ter causado um descontrole dos mecanismos de divisão celular, levando ao aparecimento de tumores (câncer).

b) Exemplo de agente mutagênico de natureza:
I - física: radiações ionizantes;
II - biológica: infecções por vírus, como o HPV, ou ainda o vírus da hepatite B.

(Vunesp-2000) O homem moderno tem provocado freqüentes desequilíbrios na natureza. A presença de poluentes na atmosfera, na água e no solo tem gerado diferentes tipos de poluição com danos à saúde dos seres vivos e, em especial, à do homem. Entre estes agentes poluidores estão os metais pesados, tais como cobre, chumbo e mercúrio e, entre os óxidos de carbono, o mais perigoso, que é o monóxido de carbono (CO).

a) De que forma o monóxido de carbono poderá ser prejudicial à saúde humana quando inspirado pelo homem?

b) Como os metais pesados poderão prejudicar o meio ambiente?

Respostas
a) O monóxido de carbono liga-se à hemoglobina de maneira estável, dificultando o transporte de gases respiratórios.

b) Os metais pesados têm efeito cumulativo nas cadeias alimentares, ou seja, sua concentração aumenta gradativamente, tornando-se máxima nos últimos níveis tróficos, podendo levar à morte dos seus componentes por envenenamento. Isso altera a composição das teias alimentares e, assim, modifica os equilíbrios ambientais existentes.

Relações desarmônicas

AMENSALISMO

As comunidades são formadas por diferentes populações que interagem entre si. Quando a interação ocorre entre indivíduos da mesma espécie são denominadas relações intraespecíficas, entretanto quando a relação ocorre entre diferentes espécies, essas são relações interespecíficas. Quando nessas relações há vantagem mútua para os indivíduos da associação, essa chama-se relação harmônica. No contrário, quando ambos ou apenas um indivíduo é prejudicado, chamamos a relação de desarmônica. Abaixo seguem as principais relações desarmônicas.

O amensalismo é uma relação intraespecífica na qual um ser vivo produz e libera uma substância que prejudica o crescimento da outra. O exemplo mais clássico é o que ocorre com os antibióticos, como a penicilina sintetizada pelo fungo Penicillium notatum. Há ainda outros exemplos, como quando ocorre a maré vermelha, onde há uma intensa proliferação das algas vermelhas que liberam uma substância tóxica para muitos animais marinhos, como ocorre com certas raízes que liberam substâncias que impedem o crescimento de outras plantas ao redor, dentre outros.

PREDATISMO

Predatismo: camaleão captura inseto. (Foto: G1)Predatismo: camaleão captura inseto. (Foto: G1)
Essa relação se estabelece quando animais de nível trófico acima, denominados predadores, capturam, matam e se alimentam de animais de um nível trófico abaixo, denominados presas. O predatismo ocorre com quase todos os carnívoros, como leão, lobo, onça, dentre outros. Assim, nessa relação de participação diretamente do controle populacional, como da população de predadores pode equilibrar a população de presas e vice-versa, como mostrado no gráfico abaixo. Entretanto, um desequilíbrio ambiental pode afetar um aumento ou diminuição de uma dessas populações.
Gráfico sobre controle populacional (Foto: Reprodução)Gráfico sobre controle populacional (Foto: Reprodução)

PARASITISMO

Nessa relação apenas um ser vivo é beneficiado e o outro é prejudicado. Esta relação ecológica ocorre entre indivíduos de espécies diferentes, sendo que uma delas, denominada parasita, habita o interior (denominados endoparasitas, como por exemplo, o protozoário Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas) ou exterior (denominados ectoparasitas, como por exemplo, o piolho) de outra espécie, denominada hospedeiro. O parasita alimenta-se de seu hospedeiro e as consequências dessa relação pode ocasionar a morte do hospedeiro.

O nematódeo Ascaris lumbricoides, conhecido popularmente como lombriga, instala se no hospedeiro, como por exemplo, o homem, provocando doenças de má nutrição, podendo levar indiretamente à morte do individuo.
Vespa Cotesia flavipes atacando uma lagarta. (Foto: Agência Embrapa)Vespa Cotesia flavipes atacando uma lagarta. (Foto: Agência Embrapa)
As relações parasitárias também acontecem na flora brasileira como ocorre com o cipó-chumbo que não possui clorofila, dessa forma não realiza fotossíntese, não conseguindo produzir seu próprio alimento. Entretanto, apresentam finas raízes, denominadas haustórios, que penetram nos vasos liberianos da planta hospedeira, obtendo seu alimento.

Os parasitas são comumente utilizados no controle biológico de pragas uma vez que os parasitas são específicos quanto ao seu hospedeiro, instando-se em uma ou algumas poucas espécies. A vespa Cotesia flavipes é parasita da fase larval da lagarta da broca da cana-de-açúcar, matando a mesma antes que cause dano na agricultura. 

COMPETIÇÃO

A competição interespecífica ocorre quando duas populações de espécies distintas, mas que possuem o mesmo nicho ecológico ou semelhante, disputam pelo mesmo recurso. Essa relação pode controlar a densidade das duas populações, entretanto um desequilíbrio ecológico pode ocasionar a extinção de uma das espécies. Esse é oprincípio da exclusão competitiva ou princípio de Gause, no qual duas espécies podem ocupar o mesmo hábitat, mas não o mesmo nicho por muito tempo, pois haverá a exclusão de uma delas. Tal princípio foi obtido após os experimentos de Gause utilizando duas espécies do protozoário paramécio: Paramecium aurelia e Paramecium caudatum.
Gráfico com população de paramécios (Foto: Professor.bio.com.br)Gráfico com população de paramécios (Foto: Professor.bio.com.br)
Outro exemplo de competição interespecífica é o caso do peixe piloto e o tubarão. Tais espécies ocupam o mesmo nicho ecológico, mas nesse caso, a relação entre eles não prejudica nenhum deles. O peixe piloto desloca-se ao lado do tubarão, alimentando-se de restos deixados por esse devorador voraz.

Além da competição interespecífica, há ainda a intraespecífica, onde os indivíduos estão constantemente competindo pelos mesmo recursos, como por exemplo, a competição pelo néctar de uma flor entre beija-flores. Tal relação ecológica está muito relacionada às mudanças evolutivas e ao equilíbrio populacional de uma comunidade.

EXERCÍCIOS

(Unifesp-2003) A raflésia é uma planta asiática que não possui clorofila e apresenta a maior flor conhecida, chegando a 1,5 metro de diâmetro. O caule e a raiz, no entanto, são muito pequenos e ficam ocultos no interior de outra planta em que a raflésia se instala, absorvendo a água e os nutrientes de que necessita. Quando suas flores se abrem, exalam um forte odor de carne em decomposição, que atrai muitas moscas em busca de alimento. As moscas, ao detectarem o engano, saem da flor, mas logo pousam em outra, transportando e depositando no estigma desta os grãos de pólen trazidos da primeira flor. O texto descreve duas interações biológicas e um processo, que podem ser identificados, respectivamente como:

a) Inquilinismo, mutualismo e polinização.
b) Inquilinismo, comensalismo e fecundação.
c) Parasitismo, mutualismo e polinização.
d) Parasitismo, comensalismo e fecundação.
e) Parasitismo, comensalismo e polinização.

Gabarito
Letra E. A raflésia estabelece com a outra planta uma relação de parasitismo com intuito de absorver água e nutrientes da mesma para seu crescimento. A atração das moscas pelo forte odor exalado pela raflésia mantém uma relação de comensalismo com a flor, pois nenhuma das duas espécies se prejudica, mas apenas a raflésia se beneficia, facilitando a polinização e dispersão de suas sementes.

Poluição do solo

POLUIÇÃO

O solo é a camada mais superficial da crosta terrestre. Uma das formas de poluição ambiental é a poluição do solo, isto é, a contaminação deste com substância que alteram sua estrutura, como agrotóxicos, lixo e solventes.
A solução para os problemas causados pela poluição estaria na reciclagem de materiais que agem como vilões para o solo, como plástico, vidro, entre outros. O uso de materiais biodegradáveis também ajuda na redução de danos ao solo.

LIXO

Na Idade média, a Peste Bubônica, conhecida como Peste Negra, dizimou metade da população europeia. Os roedores que ficavam nos porões dos navios de comércio encontraram um ambiente favorável, já que essas cidades possuíam condições precárias de higiene, com esgoto a céu aberto e o lixo acumulado nas ruas. Com a população descontrolada de ratos contaminados com a bactéria Pasteurella pestis, as pulgas destes transmitiam a bactéria para os seres humanos ao serem picados. E, dessa forma, um terço da população foi morta pela doença.

Esse acontecimento marcou a história e até hoje é lembrado, sendo o lixo o maior vilão. Atualmente, a quantidade de lixo gerado pelos seres humanos é muito alta e com os poucos recursos, muitos são levados para os conhecidos “lixões”, a céu aberto, onde há proliferação de animais nocivos, como ratos, moscas e baratas. Além disso, em muitos lugares, é possível ver o lixo sendo jogado nos rios e acumulado nos solos.
Diferença entre lixão e aterro sanitário (Foto: AmbientalSustentável)Diferença entre lixão e aterro sanitário (Foto: AmbientalSustentável)
O reaproveitamento do lixo e áreas maiores de aterros sanitários poderiam ser soluções eficientes para diminuição dos danos causados no meio ambiente. Hoje, a reciclagem do lixo tem sido empregada em muitas casas, mas ainda em um ritmo pequeno.

Em alguns casos, os lixos são enterrados provocando ainda mais problemas ambientais, já que há contaminação dos lençóis freáticos pela produção do chorume, um líquido altamente poluente. A incineração do lixo também causa poluição, já que há produção de gás carbônico, contudo materiais tóxicos e hospitalares devem ser incinerados.

A solução para diminuir os danos e resolver o problema do lixo são a compostagem, reciclagem e a reutilização. Na compostagem, as sobras orgânicas colocadas no solo servem de adubo rico, já que esse material sofrerá o processo de decomposição por bactérias. A reciclagem tem como objetivo separar materiais que não podem ser decompostos, como alumínio, plástico, papel e dessa forma são reaproveitados para fabricação de novos produtos. Na reutilização, há produção de gás natural, como o metano. Os organismos decompositores degradam a matéria orgânica em biogestores, produzindo metano para o uso de combustível.

DESMATAMENTO E QUEIMADAS

O desmatamento sempre foi um grande problema brasileiro. Em 1500 os portugueses devastaram grandes em áreas por causa do pau-brasil, uma árvore típica daqui que era muito valiosa na Europa.

A Mata Atlântica e outras áreas estão sofrendo o desmatamento provocado pelo homem para serem usadas como pastagem para animais, além de plantações, entre outros motivos, até mesmo para contrabando.
Desmatamento da Mata Atlântica (Foto: Cultura Mix)Desmatamento da Mata Atlântica (Foto: Cultura Mix)
Com o desmatamento, vários processos naturais acabam surgindo, como a erosão, aterramento dos rios e lagoas, efeito estufa, redução das chuvas, além da diminuição da biodiversidade dos seres vivos que estão presentes no ecossistema a ser desmatado.

As queimadas também são muito utilizadas para limpar terrenos a fim de serem usados como pastagem e pecuária. São causas de grandes impactos ambientais, já que aumentam efeito estufa e reduzem a fertilidade do solo. Além disso, a fauna também é prejudicada, acabando com o habitat de diversas espécies. Como no desmatamento, a queimada também deixa o solo sujeito à erosão contribuindo ainda mais para o assoreamento de lagos e rios.

EXERCÍCIOS

(ENEM-2006) As florestas tropicais úmidas contribuem muito para a manutenção da vida no planeta, por meio do chamado seqüestro de carbono atmosférico. Resultados de observações sucessivas, nas últimas décadas, indicam que a floresta amazônica e capaz de absorver ate 300 milhões de toneladas de carbono por ano. Conclui-se, portanto, que as florestas exercem importante papel no controle:
a) das chuvas ácidas, que decorrem da liberação, na atmosfera, do dióxido de carbono resultante dos desmatamentos por queimadas.

b) das inversões térmicas, causadas pelo acúmulo de dióxido de carbono resultante da não-dispersão dos poluentes para as regiões mais altas da atmosfera.

c) da destruição da camada de ozônio, causada pela liberação, na atmosfera, do dióxido de carbono contido nos gases do grupo dos clorofluorcarbonos.

d) do efeito estufa provocado pelo acúmulo de carbono na atmosfera, resultante da queima de combustíveis fósseis, como carvão mineral e petróleo.

e) da eutrofização das águas, decorrente da dissolução, nos rios, do excesso de dióxido de carbono presente na atmosfera.

Gabarito 
Letra D. O sequestro do dióxido de carbono está relacionado ao controle do efeito estufa: elevação da temperatura global em decorrência do acúmulo de dióxido de carbono. Esse processo pode ocorrer, por exemplo, pela queima de combustíveis fósseis.

(Fatec-2005) Se forem reflorestadas várias áreas, ao redor e dentro de grandes centros urbanos, podem-se combater os poluentes liberados pela queima de combustíveis fósseis. O dióxido de carbono é um dos poluentes mais abundantes, e sua remoção envolve a elaboração de um produto por um evento metabólico.Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o produto e o fenômeno metabólico do processo descrito.

a) Carboidrato e fotossíntese.
b) Proteína e fermentação.
c) Carboidrato e fermentação.
d) Proteína e fotossíntese.
e) Oxigênio e respiração aeróbica

Gabarito
Letra A. O gás carbônico (CO2) eliminado nos centros urbanos será utilizado pelas plantas durante a fotossíntese, levando à produção de carboidratos.

(Mack-2006) Cientistas mediram a quantidade de carbono nos solos de 2.179 localidades do Reino Unido em 1978, 1994/5, 1996/7 e 2003. Verificaram que quase todos os solos estavam perdendo carbono, a uma taxa média de 0,6% ao ano, o que significa 13 milhões de toneladas anuais. Como a perda aconteceu mesmo em solos que não são usados para agricultura, os pesquisadores assumem que a mudança seja ocasionada pelo aumento da temperatura global no último século, que foi de 0,7ºC. Quanto mais calor, maior a atividade de micróbios que decompõem matéria orgânica no solo, liberando CO2, o que, por sua vez, aumenta ainda mais a temperatura.
Folha Ciência, 08/09/2005.

Analisando-se o texto acima, é correto afirmar que:
a) a quantidade de CO2 liberada do solo é insignificante, comparando-se com a quantidade liberada à atmosfera por outras fontes, não constituindo, portanto, motivo de preocupação.
b) o problema da liberação do CO2 pode ser resolvido se forem eliminados os micróbios responsáveis pela produção desse gás.

c) essa perda de CO2 pelos solos aumenta a taxa de CO2 da atmosfera e favorece a ocorrência do efeito estufa.

d) o aumento na quantidade de CO2 da atmosfera não tem relação com o efeito estufa.

e) o efeito estufa não ocorre, mesmo que haja aumento na taxa de CO2 na atmosfera, pois as plantas, por meio da fotossíntese, utilizam todo o excesso desse gás.

Gabarito
Letra C. O CO2 é o grande responsável pela retenção das radiações infravermelhas responsáveis pelo aquecimento global (efeito estufa).

(UFSCar-2009) A prática da queima da palha da cana-de-açúcar para facilitar a colheita deve ser extinta no Estado de São Paulo, por causar danos ao meio ambiente. Estes danos estão diretamente relacionados com:

a) o aumento de compostos nitrogenados no solo, como amônia e nitrato.
b) a redução na evaporação da água do solo.
c) o aumento da matéria orgânica na superfície do solo, provocado pela queima da matéria vegetal.
d) a redução da erosão na área, provocando o acúmulo de cinzas na superfície.
e) o aumento na concentração de gases tóxicos na atmosfera, provocado pela combustão da matéria orgânica.

Gabarito
Letra E. A queima da palha da cana-de-açúcar intensifica a concentração de gases tóxicos na atmosfera, como por exemplo, o gás carbônico (CO2).

(UFSCar-2006) Nas zonas urbanas das grandes cidades, cada habitante produz cerca de 1kg de lixo diariamente. A maior parte desse material acaba sendo depositada em lixões ou aterros sanitários. Sobre esses dois métodos de destinação do lixo, pode-se dizer que:
a) os lixões são mais indicados que os aterros apenas quando localizados fora do perímetro urbano e quando houver controle sobre o acesso de pessoas.

b) lixões e aterros apresentam o inconveniente de inviabilizar a coleta seletiva do lixo e a reciclagem de material.

c) os aterros apresentam a vantagem de minimizar o risco de transmissão de doenças, mas são desvantajosos porque não impedem a contaminação do solo e das águas subterrâneas.

d) os lixões mantêm o lixo exposto a céu aberto, atraindo animais e provocando mau cheiro. Quando cobertos com lona ou mantidos sob galpão, são denominados aterros sanitários.

e) os aterros, assim como os lixões, produzem gás metano e chorume, mas nos aterros há controle sobre a produção e drenagem desses produtos, de modo a não contaminar o solo e a atmosfera.

Gabarito
Letra E. Os lixões provocam a contaminação do solo, enquanto os aterros possuem sistema de drenagem para o chorume e o gás metano para que não haja essa poluição do solo.